12/09

Você sabe o que é lixiviação do solo?

Lixiviação é o movimento de materiais solúveis na matriz do solo pelo efeito da água que escorre e causa erosão ou a água que infiltra no solo em direção ao lençol freático. A chuva, quando encontra o solo desprotegido, sem cobertura vegetal viva ou morta, provoca um processo de destruição de agregados em partículas primárias: areia, silte e argila.   

Quando a chuva excede a capacidade de infiltração do solo, provoca o escorrimento superficial e lixívia as partículas mais finas de solo (argila e silte), a matéria orgânica e qualquer material solúvel na superfície, como calcário e fertilizantes.  

Mas, segundo o pesquisador da Embrapa Solos, Pedro Freitas, o processo mais importante de lixiviação que acontece no solo se dá quando a água da chuva infiltra no solo usando macroporos e bioporos como caminho.  Na formação do solo, esse processo carreia a argila mais fina, argila coloidal, das camadas superficiais para as camadas mais profundas, onde acumula.  

“A lixiviação pode ocorrer em qualquer tipo de solo e é responsável pela formação de alguns tipos de solo.  Quando o processo de lixiviação de argila acontece por milhões de anos é chamado de “podzolização” e é responsável pela formação de argissolos”, exemplifica Freitas.

O processo de lixiviação ocorre também em outros tipos de solos como os nitossolos (terra roxa), os espodossolos, alguns cambissolos (solos jovens, ainda em formação) e nos neossolos quartzarênicos ou flúvicos.

“O mesmo processo acontece em todos os solos com a camada superficial mais leve (solos de textura leve).  Nesta situação, quando a chuva encontra o solo desprotegido, destrói agregados, dispersa e lixívia a pouca argila existente na superfície, provocando a arenização das camadas mais superficiais do solo.  Em solos mais argilosos, a dispersão da argila na superfície pelo impacto das gotas de chuva provoca o encrostamento superficial”, explica o pesquisador.

Consequências da lixiviação

O mesmo processo de carreamento de nutrientes solúveis, como potássio e enxofre, para as camadas mais profundas é chamado de lixiviação de nutrientes no solo. Se esses nutrientes não forem recuperados pelas raízes de plantas de cobertura como a braquiária ruziziensis, o milheto ou o pé-de-galinha, serão lixiviados para camadas onde plantas como soja, milho, algodão, feijão, cana e outros não conseguem chegar.  

Podem também ser perdidos para o lençol freático, causando outro tipo de problema  grave. Isso significa que esses nutrientes têm de ser repostos todos os anos e colocados à disposição das plantas nas camadas superficiais, aumentando o gasto com calcário, gesso e fertilizantes.  Mas nada se iguala a lixiviação de argila e de nutrientes pelo escorrimento de água na superfície, que é prejuízo na certa para o produtor e para o ambiente.

Como evitar a lixiviação

A lixiviação pode ser evitada mantendo o solo sempre coberto com plantas vivas e com resíduos de culturas – a palhada.   Isso evita a erosão, que carreia solo morro abaixo e, com o solo, a matéria orgânica, os nutrientes e as frações mais finas do solo – a argila e o silte.  “Mesmo com a cobertura permanente do solo, tem de fazer o terraceamento da área, mesmo naquelas com baixa declividade.  Assim, a água que não consegue infiltrar será retida e infiltrará no solo, abastecendo o lençol freático e garantindo que nascentes e córregos tenham água todo o ano”, orienta Freitas.

Para diminuir o prejuízo com a lixiviação vertical, que carreia a argila dispersa e os nutrientes para as camadas mais profundas do solo, a recomendação é, além de manter o solo sempre coberto, nunca arar ou gradear o solo e fazer a rotação plurianual de culturas ou de culturas com pastagens (a integração lavoura-pecuária).  Mesmo assim, minerais solúveis serão carreados em profundidade e nesse caso, sempre cultivar uma planta de cobertura como braquiária, milheto ou sorgo como parte da rotação de culturas.