22/07

Você conhece o tamanduá-da-soja?

O tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus) é um inseto da ordem coleoptera que ataca a soja e outras leguminosas. Habitualmente os adultos emergem do solo a partir de outubro, em seguida realizam a cópula e colocam seus ovos nas plantas de soja. A partir dos ovos nascem as larvas que se alimentam da haste da soja. 

Após completamente desenvolvidas, as larvas abandonam a planta e se instalam no solo. Mais tarde passam para a fase de pupa e depois para a fase adulta, completando o ciclo anual. Os adultos e as larvas não se locomovem a longas distâncias, então o fato de o inseto ser detectado em uma lavoura indica que ele já estava presente na área ou nas proximidades.

De acordo com o Engenheiro Agrônomo e pesquisador em entomologia da Embrapa Soja, Samuel Roggia, o tamanduá-da-soja apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em parte do Bioma da Mata Atlântica e Cerrado, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo e Bahia. 

“Apesar da ampla distribuição, considera-se que ocorram em regiões com temperaturas noturnas mais amenas. Por se tratar de um inseto com ciclo anual, a sua incidência em uma determinada safra está relacionada em parte as condições de estabelecimento e reprodução da safra anterior, sendo afetada pela disponibilidade de alimento, eficiência de controle nas lavouras e condições climáticas”, explica.

Roggia complementa que tanto os adultos como as larvas podem provocar danos às plantas de soja. “O adulto, principalmente o macho, raspa o caule e desfia os tecidos no local do ataque, podendo provocar morte das plantas. A intensidade das perdas depende da densidade populacional de adultos na área. Com o desenvolvimento da larva no interior da haste, há a produção de uma galha que enfraquece a planta a qual pode quebrar pela ação do vento ou chuva. Essa quebra ocorre habitualmente na fase reprodutiva da cultura e provoca perda total ou quase total das plantas atacadas”. 

Porém, quando o ataque inicia a partir do estádio V6, planta com 6 nós, as perdas tendem a reduzir, pois a planta já se encontra mais lignificada e o ataque dos insetos ocorre em ramos laterais ou acima da metade da haste principal, provocando menores perdas. 

Como prevenir o tamanduá-da-soja

A tática de controle mais eficiente é o uso de rotação de culturas, cultivando-se milho ou outra cultura não hospedeira nas áreas infestadas com a praga. Como os adultos têm capacidade de deslocamento limitada e eles atacam apenas algumas espécies de plantas, ao não encontrarem essas plantas eles acabam morrendo, reduzindo drasticamente o nível de infestação da área para os próximos anos. 

As principais plantas hospedeiras são a soja, feijão, lab-lab e guandu. “Atenção especial deve ser dada para lavoura de soja (ou outra cultura hospedeira) instalada ao lado de uma área infestada e que está sendo cultivada com uma cultura não hospedeira, como o milho. Pois os insetos tendem a migrar da área infestada até encontrarem uma lavoura com plantas hospedeiras, como a soja. Nesses casos pode ocorrer ataque intenso da praga em uma faixa de 50 a 100m de borda da lavoura de soja próxima à área infestada cultivada com milho”, alerta o pesquisador. 

Antecipar a semeadura da soja contribui para que, quando o inseto emergir do solo, as plantas já estejam bem desenvolvidas e menos susceptíveis ao ataque da praga. Por outro lado, a soja semeada tardiamente ou em safrinha, pode sofrer mais intensamente com o ataque da praga em lavouras infestadas. 

Roggia esclarece que na entressafra, as larvas permanecem no solo entre 5 e 15cm de profundidade, de modo que o revolvimento superficial do solo, é pouco efetivo para o seu controle, sendo desaconselhado o revolvimento do solo unicamente visando o manejo dessa praga. “O tratamento de sementes com inseticidas contribui para o controle apenas do ataque inicial da praga, pois os inseticidas não apresentam tempo residual muito longo. É importante considerar que a lavoura de soja tem mecanismos de compensação da produtividade em resposta ao ataque da praga, de modo que em baixa intensidade de ataque do inseto a produtividade final da lavoura pode não ser afetada”. 

O nível populacional a partir do qual deve ser feita a pulverização com inseticidas na parte aérea da cultura é de, em média, 1 adulto por metro de linha de soja quando o ataque ocorrer com plantas de até 2 folhas trifolioladas. E de 2 adultos por metro de linha de soja quando o ataque ocorrer com plantas de até 5 folhas trifolioladas. 

Foto: Clara Beatriz H. Campo/ Embrapa