06/09

Tudo o que você precisa saber sobre calagem

A calagem é a aplicação de calcário ou outro corretivo no solo, com o objetivo de neutralizar a acidez excessiva. Ela aumenta o pH do solo, neutraliza o alumínio disponível, que é tóxico às plantas, e fornece os nutrientes como cálcio e magnésio ao solo.

Solos com elevada acidez apresentam limitações no fornecimento dos nutrientes, geralmente apresentando problemas de toxidez por alumínio e manganês, além da baixa eficiência da aplicação de adubos. Por isso, a calagem é importante para a solução dessas limitações.

Segundo o pesquisador da Embrapa Solos, David Vilas Boas de Campos, a calagem bem feita traz diversos benefícios, como o aumento da disponibilidade de fósforo, eliminação da toxidez de alumínio e manganês, fornecimento de cálcio e magnésio, aumento da disponibilidade de nutrientes no sistema de produção, estimula a atividade de microorganismos no solo, melhora a agregação do solo, favorece o crescimento radicular, aumenta a eficiência de uso dos fertilizantes e consequentemente o aumento de produtividade das culturas.

“Porém, é importantíssimo observar que a aplicação de calcário, em forma e quantidade, sempre deve seguir a recomendação técnica baseada em análise química do solo, de acordo com os manuais de calagem e adubação de cada estado ou região. Deve-se observar que existem diferenças nos tipos de calcário, principalmente relativas às características de teores de cálcio, teores de magnésio, relação cálcio/magnésio e o PRNT”, explica Campos. 

Devido às características dos solos brasileiros, geralmente ácidos e com baixa disponibilidade de nutrientes, a calagem torna-se uma tecnologia fundamental para o uso e manejo dos solos, contribuindo para a obtenção de uma elevada produtividade das culturas. Para isso, é imprescindível a consulta de um engenheiro agrônomo para o cálculo da necessidade de calagem e recomendação de adubação.

Como fazer uma calagem correta

O pesquisador recomenda que para  o produtor realizar uma calagem de forma correta, é preciso prestar atenção nos seguintes pontos: 

  • Deve-se evitar a aplicação de doses muito elevadas de calcário, e no caso de recomendações altas, o ideal é fracionar a quantidade a ser aplicada. 
  • A solubilização do calcário é lenta, e por isso ele deve ser aplicado de 1 a 3 meses antes do plantio. 
  • Quantidades inferiores à real necessidade podem não neutralizar os elementos tóxicos e fornecer quantidades insuficientes de cálcio e magnésio.
  • Quantidades de calcário superiores à dose recomendada podem aumentar demais o pH do solo, reduzindo a disponibilidade de micronutrientes. 
  • Dentre os compostos que podem ser utilizados para a correção da acidez, além do calcário, podem ser incluídos os seguintes materiais, com características básicas, como óxidos, hidróxidos, silicatos de cálcio e magnésio, escórias de siderurgia, conchas moídas. 
  • O gesso agrícola não é um corretivo de solo, e por isso não pode ser usado em substituição ao calcário.
  • A qualidade do corretivo também é importante, e está relacionada com a granulometria das partículas e o seu poder de neutralização, o que pode ser determinado pelo seu Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT). As recomendações de calagem são feitas com base em calcário com PRNT de 100%.

Orientação profissional para realizar a calagem evita prejuízos

Ao realizar esse tipo de atividade, é importante sempre consultar um engenheiro agrônomo, que é o profissional adequado para planejar, recomendar e aplicar corretivos e fertilizantes no manejo dos solos brasileiros.

“É de extrema importância que os agricultores sempre tenham resultados confiáveis dos laboratórios de fertilidade, nos quais analisam suas amostras de solo. Atualmente, existem Programas de Controle de Qualidade para laboratórios de fertilidade. Nestes Programas os laboratórios são avaliados e comparados uns com os outros, e após avaliação, os que têm melhor desempenho são habilitados ao uso de um Selo de Qualidade”, orienta Campos.

Atualmente existem cinco programas de controle de qualidade de análise de solo no Brasil. O programa de maior abrangência é o Programa de Análise de Qualidade de Laboratórios de Fertilidade (PAQLF), em que participam mais de 100 laboratórios de 25 estados, e que utilizam o método Embrapa de análise de solos.

Foto Shutterstock