10/07

Saiba como o manejo de irrigação pode melhorar a agricultura

A história da irrigação, tem muito haver, com a história da civilização. É quase tão antiga quanto os primeiros registros da história da humanidade. Começou praticamente junto com a história da agricultura, a mais de cinco mil anos atrás, no antigo Egito.

No Brasil, os primeiros cultivos irrigados datam dos séculos 18 e 19 e eram tão tímidos que sequer tiveram registro oficial. Somente no século 20 que o governo federal iniciou programa de irrigação a fim de combater as já constantes secas do Nordeste. 

Mesmo assim, somente a partir da década de 50, com a introdução de equipamentos estrangeiros e a conjunção de vários fatores decorrentes do crescimento econômico e populacional do país, é que o setor agrícola viu a irrigação como uma necessidade para maior produção e produtividade, como também, fonte de bons negócios.

Os sistemas de irrigação são formados por um conjunto de equipamentos, acessórios, formas de operação e manejo, e que de maneira organizada realizará o ato de irrigar as culturas. Eles se diferenciam, pela forma e tecnologia empregada em fornecer a água ao solo, que consequentemente, estará disponível às plantas. “A irrigação é utilizada de acordo com a necessidade de cada cultura, sendo a água, fornecida no momento certo e quantidade correta, permitindo assim o uso racional da água”, explica Marciano Balbinot, Engenheiro Agrônomo, mestre em Agronomia e professor do curso de Agronomia da Uceff Chapecó.

O uso adequado da técnica permite resultados de produtividade maiores. A irrigação coloca sob o controle da produção uma perfeita distribuição da água, criando um ambiente não só favorável ao crescimento das plantas, como também capaz de extrair o seu máximo rendimento.

“A irrigação usada corretamente e aliada a outras práticas agrícolas, elimina os riscos de perda das plantações por falta de água, além de oferecer vantagens como maior adensamento das culturas, possibilita mais de uma colheita por ano, promove maior aproveitamento dos nutrientes pela planta, aumenta a produção e a produtividade”, salienta Balbinot.

Mas, os sistemas de irrigação são recomendados para todo tipo de plantio?

            Segundo o engenheiro agrônomo, todo tipo de plantio demanda água, sendo necessário a adequação do sistema de plantio com o sistema de irrigação. Assim, a irrigação é um método de fornecimento de água ao solo, de forma a substituir a ausência de chuvas naturais, quer parcialmente em regiões de climas frios ou temperados – onde as chuvas em determinadas épocas do ano se tornam irregulares – ou em regiões de clima quente e seco, semi desérticos ou desérticos – onde as precipitações pluviométricas são ausentes durante longos períodos. Mesmo em regiões com chuvas regulares e abundantes, algumas técnicas de irrigação são utilizadas para melhor uso da água.

“A irrigação também é utilizada e totalmente necessária quando o sistema de plantio utilizado se verifica em ambientes fechados, a exemplo de residências, estufas com coberturas em plástico ou sem a utilização do solo em cultivo hidropônico, onde a chuva natural não atinge a cultura”, complementa Marciano.

Ele ainda enfatiza que a prática da irrigação não deve ser vista como uma técnica utilizada somente para eliminar os riscos das perdas ocasionadas por estiagens, mas acima disto, como uma tecnologia de alto nível, capaz de acelerar a modernização da agricultura, elevando a produção de alimentos, através de ganhos de qualidade e produtividade, resultando em melhores ganhos econômicos aos produtores rurais. “Como toda tecnologia, a irrigação também tem um custo/benefício, e, portanto, deverá ser avaliado cada situação em particular a fim de determinar a adoção ou não da técnica, bem como o sistema mais apropriado para a propriedade em questão”.

Tipos de sistemas de irrigação:

Os tipos ou sistemas de irrigação são classificados em grupos, de acordo com a forma de distribuição da água e tecnologia empregada. Assim, temos:

– Aspersão:convencional (portátil, semiportátil, fixo), mecanizada (pivô central, pivô central rebocável, pivô linear, autopropelidos);

– Localizada:gotejamento, microaspersão;

– Superfície:inundação ou tabuleiro, sulco;

– Subterrânea/subsuperficial:elevação do lençol freático, gotejamento sub-superficial.