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Plantio direto: o que você precisa saber

O sistema de plantio direto é uma técnica de cultivo do solo que teve início em meados da década de 70 no Brasil. Ele aconteceu através do pioneirismo de alguns agricultores, que perdiam excessivamente o solo e buscaram alternativas de preservação através da diminuição dos efeitos da erosão. Eles conseguiram aliar a produção, preservando e melhorando características químicas, físicas e biológicas da terra. 

Conforme explica a Engenheira Agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora da Unochapecó, Carolina Baretta, o sistema de plantio direto tem como princípio o não revolvimento do solo, restrito ao revolvimento apenas na linha de semeadura, a rotação ou sucessão de espécies vegetais e manutenção da palhada. “Ele é considerado uma prática de cultivo mais sustentável quando comparada a um sistema convencional; preserva o solo e diminui o efeito da erosão. Após a colheita, os restos vegetais são mantidos sob a superfície do solo melhorando características físicas, químicas e biológicas”.

Entre essas características estão o material vegetal que ao ser decomposto vai incorporar matéria orgânica ao solo. Durante esse processo de decomposição da palha acontece a ciclagem dos nutrientes que estavam no resto vegetal, que vão para o solo e podem ser armazenados na sua CTC ou servirem de nutrientes para as plantas e atividade biológica. “A palhada também auxilia nas características físicas do solo como a sua estruturação, aumentando a capacidade do solo de armazenar água, fazendo com que não se tenha oscilações de temperatura e aumente a sua resistência ao transporte por erosão”, explica Carolina Baretta. 

Além disso, a cobertura da palhada evita que o solo sofra degradação, pois a chuva que atinge o solo tem parte da sua energia dissipada, favorecendo o processo de infiltração e diminuindo o escoamento superficial. “Isso é muito importante em áreas onde tem uma declividade maior, porque elas são muito suscetíveis a um processo de erosão. Com a cobertura de palhada você consegue aumentar a capacidade do solo de infiltrar água e armazenar esta água no solo”.

Outro fator importante é o favorecimento da atividade biológica do solo. Os organismos que ali vivem realizam o processo de decomposição e têm na palhada o seu alimento.

“O sistema de plantio direto apresenta uma variedade de benefícios, que a partir de certo momento, promovem ganhos em produtividade. Muitas vezes, quando o produtor faz o processo de transição do sistema convencional para o sistema de plantio direto, pode ter uma queda de produção. Isso acontece durante o período de adaptação, mas a partir do momento que ele passa por esta etapa, à medida que o plantio direto começa a ficar mais consolidado, ele começa a ter ganhos de produtividade”, revela a profissional. 

A professora complementa também que antes mesmo de ver esses ganhos de produtividade, o produtor consegue perceber a diminuição de incidência de pragas e doenças, percebendo um solo mais agregado e cheio de organismos. “Esse processo de transição depende de quão degradado estava o solo no sistema anterior, de que tipo de manejo ele está utilizando e quais espécies estão empregadas dentro do sistema de rotação/sucessão”.

Atualmente, esse tipo de sistema de cultivo é muito utilizado no país, crescendo cada vez mais. A partir disso, os maquinários também passaram por um processo de adaptação. Essa foi uma das principais dificuldades no início da técnica, pois as plantadeiras convencionais tinham uma dificuldade de realizar o plantio por causa da palha. Hoje já existe uma série de maquinários adaptados para esse tipo de plantio.

“Os agricultores são empresários do campo. Todas as atividades precisam ser planejadas, desde a escolha das culturas  vegetais dentro desse processo de rotação, a importância da produção da palha e as alternativas que podem minimizar os custos da atividade. Além disso, a análise de solo é fator essencial para a realização da atividade, planejando a utilização de fertilizantes de forma racional, econômica e ambientalmente sustentável”, destaca a professora.

 Foto: Núbia Correia/Embrapa