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O que você precisa saber sobre o ácaro da soja

Existem diversas espécies de ácaro, algumas podem ser consideradas pragas nas lavouras. Outras tem papel oposto e por vezes podem ser responsáveis pelo combate predatório, desempenhando a função de agentes biológicos no controle de inimigos naturais. No que diz respeito às pragas da lavoura de soja, os ácaros mais comuns são organismos minúsculos que se alimentam das células da folha, reduzindo a fotossíntese e a produção de energia pela planta. Por serem organismos com grande capacidade de multiplicação e adaptação, o agricultor precisa estar atento para identificar a necessidade de medidas de controle e aprimorar o manejo da plantação.

Em comparação aos insetos que são tidos como pragas agrícolas, o ciclo de desenvolvimento dos ácaros é consideravelmente rápido. Enquanto os insetos demoram entre 20 a 30 dias para atingir a fase adulta, o ácaro permanece cinco dias em desenvolvimento no ovo e mais cinco dias até a atingir a fase adulta, tendo um ciclo biológico de até 30 dias. “Desde o segundo dia em que se atinge essa fase, a fêmea já começa a botar ovos, com o número considerável de até 200 ovos. Isso demonstra a grande capacidade de multiplicação dos ácaros”, enfatiza o pesquisador da Embrapa Soja, Samuel Roggia.

Porém, antes de se pensar em medidas de controle “é importante destacar que ao falarmos de ácaros, nos referimos a um grupo de organismos bastante variado, em que a maioria não causa prejuízos às plantações. Alguns vivem no solo e até contribuem com a agricultura, trabalhando a matéria orgânica e o processo de decomposição. Existem muitos ácaros que são agentes biológicos, são predadores, que comem as pragas, inclusive outros ácaros e até insetos. Nesse nicho há grupos específicos que atacam plantas e no que diz respeito a cultura da soja, os que mais causam preocupação são os ácaros que atacam as folhas”, destaca Samuel. Eles se alimentam das células da folha onde está presente a clorofila e dessa forma, comprometem o processo de captação solar e da fotossíntese, que é responsável pela energia da planta. A presença desses organismos deve se tornar preocupação quando se apresentam em grande densidade populacional, podendo comprometer o desenvolvimento da lavoura.

A importância do manejo para uma lavoura equilibrada

Evitar totalmente a presença de ácaros e insetos pode ser considerada uma tarefa impossível, principalmente por serem organismos de fácil adaptação e grande diversidade. Porém, é possível minimizar o impacto dos ácaros através de medidas de convivência e de redução. “Sabemos que, por exemplo, uma lavoura de soja em que o agricultor ao longo de todo o ciclo utilizou os agrotóxicos de uma forma racional e com produtos seletivos é uma lavoura equilibrada e que tem mais inimigos naturais de ácaros e também de outras pragas”, explica o pesquisador da Embrapa Soja. 

Esses inimigos naturais, também chamados de agentes de controle biológico, atuam de diferentes formas para regular a presença de pragas. Nesse contexto, os ácaros têm dois grupos principais que atuam no seu controle de forma natural. O primeiro diz respeito aos ácaros predadores, que como o próprio nome diz, têm a finalidade de predar ácaros pragas e outros organismos presentes na plantação. Há também as doenças, e se tratando de ácaros, os fungos são a principal frente de ataque. A realização correta do manejo sanitário é imprescindível para ter um controle efetivo e uma lavoura equilibrada. 

Os ácaros também são afetados pelas condições climáticas, porém esse fator foge do controle do agricultor. Os períodos de estiagem são mais propícios para o aparecimento dos ácaros pragas. Maior quantidade de chuva e umidade compromete a reprodução desses organismos, mas também vale ressaltar que a irrigação da plantação não é uma forma de controle efetivo, já que os ácaros se alojam na parte inferior das folhas e não são atingidos. Em contrapartida, os ácaros predadores e fungos têm um melhor desenvolvimento com chuvas e umidade, o que permite ajustar os ciclos do cultivo de acordo com o monitoramento e o conhecimento do clima em que se realiza a plantação. 

Foto Agência Embrapa