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Maior produtividade de grãos: adubação nitrogenada potencializa rendimento nas culturas de milho

A prática da adubação depende de vários fatores que devem ser previamente avaliados com relação aos aspectos agronômicos. A avaliação geralmente é baseada nos resultados da análise de solo e/ou da planta; histórico da área; exigências agronômicas da cultura; recursos financeiros do produtor e produtividade esperada. Entre essas possibilidades, há a adubação nitrogenada, que auxilia no crescimento e rendimento das culturas.

A adubação nitrogenada é o fornecimento de nitrogênio para as plantas de cultivo agrícola. Segundo o professor de Agronomia da Unochapecó, Fábio José Busnello, “o nitrogênio é essencial para as plantas, com papel fundamental na constituição de biomoléculas e inúmeras enzimas. A deficiência desse elemento afeta diretamente a capacidade fotossintética e o rendimento das culturas”.

O nitrogênio deve ser fornecido regularmente às plantas e representa 60% do consumo mundial de fertilizantes. Sua utilização deve ser pautada em alguns fatores, como “condições edafoclimáticas, sistema de cultivo (plantio direto e convencional), época de semeadura (época normal e safrinha), resposta dos materiais genéticos à adubação nitrogenada, rotação de culturas, época e modo de aplicação, fontes de nitrogênio, aspectos econômicos e operacional. Isso enfatiza a regra de que as recomendações de nitrogênio devem ser específicas e não generalizadas para cada situação”, explica o pesquisador em fertilidade do solo e fertilizantes da Embrapa Solos, Paulo César Teixeira.

A cultura de milho usualmente requer o uso de adubação nitrogenada no plantio e em cobertura para complementar seu ciclo e poder expressar seu potencial de rendimento. É o nitrogênio que determina o desenvolvimento dessas plantas, com aumento significativo na área foliar e na produção de massa de matéria seca. Esse é o elemento exigido em maior quantidade pelo milho, e por consequência, é o que geralmente mais limita a produtividade de grãos. 

Para garantir melhores resultados, o manejo da adubação nessa cultura deve ser baseado em informações detalhadas sobre o ambiente de produção, as características de cada talhão e as opções de fertilizantes disponíveis. Ou seja, a adubação nitrogenada para o milho deve levar em consideração aspectos como sistema de cultivo, nível tecnológico, tipo e fertilidade do solo, época de semeadura, operacionalidade, rotação de culturas e retorno econômico.

“De acordo com o conceito conhecido como manejo de nutrientes 4C, a aplicação da fonte de nutrientes certa, na dose certa, na época certa e no lugar certo tem sido intimamente associada com a sustentabilidade agrícola. Os seguintes métodos, isoladamente ou combinados, têm sido utilizados para aplicação de N na cultura do milho: aplicação localizada no sulco de semeadura; aplicação em cobertura, localizada ou a lanço na superfície do solo; aplicação via água de irrigação (fertirrigação)”, explica o pesquisador Paulo César.

A estratégia mais comumente usada pelos produtores é o parcelamento da adubação nitrogenada, buscando melhor sincronização entre a aplicação e a demanda de nitrogênio pelas plantas. Desta forma as perdas do elemento por volatilização e/ou lixiviação são menores, uma vez que a planta tem capacidade limitada de assimilá-lo. Normalmente é realizada a aplicação de uma pequena quantidade de nitrogênio na semeadura e o restante em cobertura, no período de máxima absorção pelas plantas. Essa estratégia supre a planta no início do seu desenvolvimento. 

De acordo com Paulo César, “a absorção de N pelo milho é intensa no período que vai dos 40 dias após a semeadura (elongação, estádio V6-folhas) até o florescimento masculino (emissão do pendão), quando a planta absorve mais de 70 % da sua necessidade total. Nesta fase de absorção mais intensa, a adubação é feita normalmente à lanço em cobertura e em área total”. A aplicação de cobertura deve ser feita sempre através do monitoramento dos estádios fenológicos responsivos, bem como buscar condições ideais de umidade do solo.

A aplicação de todo o nitrogênio exigido pela cultura em semeadura não é uma prática que se recomenda, em virtude dos problemas que o excesso do nutriente pode causar ao estande de plantas. “Embora a quantidade de adubo a ser aplicado seja variável de uma área para outra, pode se considerar que doses de até 30kg/ha podem ser utilizadas em adubações de base. Adubações superiores a 38kg de nitrogênio/ha podem reduzir o número de plantas por área. Assim, é importante que somente uma parte do nitrogênio seja ofertado na semeadura e o restante em cobertura” reforça o professor Fábio.

Portanto, está evidente que não há receita única a ser seguida no manejo do nitrogênio no milho, por se tratar de um elemento muito dinâmico no solo, influenciado por fatores climáticos. O nitrogênio deve ser manejado de acordo com as condições locais, com o sistema de produção adotado e com o potencial de produtividade da cultura para cada região.