31/01

Importância do boro no cultivo de soja

O bom rendimento de uma lavoura depende da disponibilidade de nutrientes presentes no solo. Ele pode acontecer através de diversas técnicas, sendo a fertilização a principal delas. No caso da soja, a produtividade dos grãos tem forte ligação não só com os macronutrientes, mas também com os micros, como o boro que possui função de maximizar a produção.

Segundo dados da Embrapa Soja (2020), o Brasil ocupa a segunda posição em relação a produção de grãos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A oleaginosa ocupa uma área de aproximadamente 34 milhões de hectares, com produção estimada para 2020 na casa de 120 milhões de toneladas.

Para que esse resultado seja alcançado, o produtor precisa investir em estudo, pesquisa e aplicação tecnológica de fertilizantes que buscam suprir as demandas da cultura. Neste sentido, a aplicação dos macro e micronutrientes na lavoura é de extrema importância para o crescimento e desenvolvimento das plantas, conforme explica o Engenheiro Agrônomo, mestre em Ciência do Solo e professor do curso de Agronomia da Uceff Chapecó, Carlos Zandoná Rupolo.

Ele ainda ressalta que a aplicação do micronutriente boro apresenta grande relevância para produtores que buscam aumentar o seu teto produtivo, sendo esse importante em vários processos biológicos da planta como na translocação de açúcares e metabolismo de carboidratos. A deficiência de boro nas plantas pode causar prejuízo ao produtor uma vez que interrompe o desenvolvimento celular além do crescimento meristemático. 

“O boro é um micronutriente pouco móvel na planta e sua mobilidade no solo se dá por fluxo de massa onde a planta o absorve, preferencialmente na forma de ácido bórico (H3BO3). A disponibilidade de boro é fortemente influenciada pelo pH do solo, o qual apresenta a maior disponibilidade na faixa de cinco a sete, textura do solo, ocorrendo perdas por lixiviação onde a textura é arenosa. Consequentemente solos argilosos retêm o micronutriente na superfície dos colóides e, por fim, a matéria orgânica por ser a principal fonte do boro”, explica Rupolo.

Principais sintomas da deficiência de boro na soja: 

  • Redução do crescimento e deformação nas zonas de crescimento;
  • Folhas mais jovens deformadas e de tamanho pequeno;
  • Pode apresentar clorose internerval em folhas mais jovens em função da redução na concentração de clorofila, que por sua vez pode apresentar coloração mais escura em folhas mais velhas em função do acúmulo de compostos nitrogenados;
  • Crescimento reduzido das raízes;
  • Abortamento de flores;
  • Plantas suscetíveis a doenças.

O Boro em excesso pode ser tóxico às plantas sendo um problema tão grave quanto a sua deficiência. O sintoma de excesso do micronutriente causa amarelecimento das folhas que se estende pela sua margem. 

Segundo o Manual de Calagem e Adubação para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (2016), a aplicação de micronutrientes na soja, a exceção de cobalto e molibdênio, não é necessária, pois os solos possuem as concentrações necessárias naturalmente para suprir a demanda da cultura. “No entanto, é de suma importância a realização de análise química de macro e também micronutrientes do solo para, em caso de necessidade, o técnico ou agrônomo faça a recomendação utilizando fontes inorgânicas ou preferivelmente orgânica de boro”, orienta o profissional.