28/06

Importância da reposição de nutrientes no solo

Nitrogênio através da matéria orgânica, fósforo, potássio, cálcio e magnésio são alguns macronutrientes presentes no solo. Além deles, micronutrientes complementam a terra e são medidores para a sua fertilidade. Para que um plantio renda bons frutos, os cuidados com o solo antecipam a cultura e são medidos através da análise de solo.

Segundo a Engenheira Agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora da Unochapecó, Carolina Baretta, a análise de solo é a primeira ferramenta que o produtor tem que buscar, para o diagnóstico da fertilidade do solo, quantificando a disponibilidade dos nutrientes presentes no mesmo. “A partir dessa análise, o agricultor poderá verificar a necessidade de correção do solo e calcular a exigência de nutrientes necessários para a cultura que será implantada. Além desse pré-cuidado necessário para o planejamento do plantio, durante o cultivo, quando necessário, o produtor deverá reaplicar nutrientes como o nitrogênio e potássio, caso a adubação de base não tenha fornecido os mesmos na quantidade recomendada pela análise, na chamada adubação de cobertura. Além da realização de adubações com micronutrientes caso necessárias”.

No decorrer do crescimento do plantio, os nutrientes dispostos no solo são absorvidos na biomassa vegetal e nos grãos das plantas. Para algumas espécies a exportação de nutrientes é maior, ou seja, o nutriente absorvido pela planta não retorna ao solo, saindo totalmente do solo pela exportação da cultura, principalmente em espécies em que são colhidas as plantas inteiras, como no caso de espécies para silagem e pastagens. Já em outros tipos de cultivo, como o milho e a soja para grãos, a palhada é mantida na superfície do solo (em sistema de semeadura direta) e só os grãos são colhidos, mantendo uma parte dos nutrientes ainda na biomassa da planta que irá se decompor ciclando os nutrientes para o solo. 

Porém, além dos nutrientes serem exportados para as plantas, eles se perdem naturalmente pela ação das chuvas. Esse processo é conhecido como lixiviação e acontece quando a água infiltra no solo e carrega os nutrientes, afastando eles da zona de absorção da raiz.

A professora Carolina explica que também existe outro processo de perda que pode acontecer naturalmente, mas é intensificado pelo manejo ruim, chamado de erosão do solo. “Isso acontece principalmente quando o solo está descoberto e a água da chuva não infiltra para dentro da terra. Após a saturação do solo a água começa a escoar e carrega solo e nutrientes das camadas superficiais do solo, que é a camada mais fértil, ocasionando a perda de outro componente extremamente importante da fertilidade deste solo, a matéria orgânica”, descreve. 

Quando esses fatores acontecem, a fertilidade se perde e leva ao empobrecimento do solo. O produtor assim terá de aumentar o custo de produção para repor o nutriente e, em casos extremos, a degradação pode tornar o solo pobre ao ponto de perder a sua capacidade produtiva. Por isso, a engenheira agrônoma orienta que além da proteção do solo para evitar perdas por erosão, é de extrema importância o produtor, de dois a três meses antes do plantio ou semeadura, realizar a amostragem de solo para o planejamento das próximas safras, colocando os nutrientes de forma adequada dentro das necessidades das culturas que virão posteriormente.

Soluções para manter o solo nutrido

Em áreas onde existe uma maior intensificação pluviométrica, é aconselhável o produtor pensar em espécies vegetais que permitam a manutenção da palhada, pois ela cria um efeito protetor sobre a terra, minimizando o impacto da chuva e evitando a perda de solo por erosão.

Nos períodos de inverno, antecedendo culturas de grãos, por exemplo, sugere-se trabalhar com espécies que promovam um aporte de biomassa, realizando quando possível um mix de espécies vegetais com diferentes ciclos de crescimento, aproveitamento de nutrientes e produção de biomassa, podendo este manejo representar uma boa alternativa, segundo Carolina.

Foto Pixabay