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Ferrugem-asiática: saiba como prevenir

A ferrugem asiática é a principal doença da cultura da soja, e tem como agente causador o fungo Phakopsora pachyrhizi. A doença acarreta, no Brasil, uma perda de dois bilhões de dólares por safra, considerando o custo de controle da doença e as perdas econômicas decorrentes da redução da produtividade.

Conforme explica o Engenheiro Agrônomo, doutor em Agronomia e pesquisador na área de fitopatologia, João Américo Wordell Filho, a ferrugem-asiática costuma atingir a plantação de soja através do molhamento foliar prolongado, temperatura noturna entre 18 e 24 ºC e chuvas frequentes. “Os danos no rendimento têm variado entre 10 e 75%, principalmente em áreas onde o controle não é executado ou é de forma tardia”, comenta.

As principais e mais importantes práticas de manejo da doença são de caráter preventivo e realizadas conjuntamente, como escolha da cultivar, da época de semeadura, respeito ao vazio sanitário, a rotação de culturas e a aplicação de fungicidas. 

Para evitar o aparecimento da doença, é recomendado realizar o monitoramento da lavoura, para que os métodos de controle sejam aplicados com efetividade. “A principal estratégia é o uso de cultivares resistentes ou moderadamente resistentes e a escolha da época de semeadura, porém mesmo assim é necessária a aplicação de fungicidas para garantir o controle”, salienta João.

 O controle cultural depende de uma série de manejos que vão desde a escolha da época de semeadura até o manejo de possíveis inóculos, eliminando e destruindo plantas que possam garantir a persistência do patógeno na área. A utilização de cultivares de ciclo precoce, eretas, com folhas lanceoladas são importantes pois além de permanecerem menos tempo no campo expostas ao patógeno também permitem a colheita antes das cultivares de ciclo mais tardio. 

Outro fator importante é a antecipação da semeadura para o início do período recomendado, ponto importante para evitar que períodos críticos do desenvolvimento vegetal sejam afetados pela doença. O monitoramento de possíveis inóculos ou hospedeiros alternativos, como o feijão, kudzu, soja perene, leiteiro e outras plantas da família fabaceae, nos períodos de entressafra, a ausência de cultivo de soja (vazio sanitário), a eliminação de plantas voluntárias ou possíveis inóculos, o manejo da irrigação e a rotação de culturas são práticas culturais de suma importância para o combate à doença. 

“Caso a doença surja a partir do estádio R6-R7, ou seja, quando a vagem muda de coloração, não é recomendada a aplicação de produtos químicos devido a relação custo-benefício daquele cultivo, porém o controle tem grande importância pois diminui o inóculo de lavouras vizinhas com cultivares tardias e consequentemente de futuros cultivos”, orienta o profissional. 

Ele aponta que uma estratégia adotada pelos sojicultores é o monitoramento seguido do controle químico por meio do uso de fungicidas sistêmicos quando necessário. “Monitorar a presença e evolução do patógeno é a principal etapa de todo o processo de controle. Tão importante quanto a escolha da forma de controle e do produto a ser aplicado, também é a escolha da época de aplicação”. 

O recomendado é realizar a primeira aplicação de fungicida de forma preventiva, geralmente no estádio vegetativo (~V7) (35 a 45 dias após a emergência das plantas), e as aplicações posteriores com intervalo de aplicações de no máximo 15 dias. O espectro de gotas finas com DMV (diâmetro da gota que divide o volume pulverizado em duas partes ou metades iguais) variável entre 119 e 216µm proporciona bons resultados em termos de deposição de gotas, controle da doença e produtividade e um volume de calda de 150 a 200 L/ha.

“A utilização de produtos com mais de um ingrediente ativo aumenta a eficiência em reduzir os sintomas da doença. Embora determinados produtos químicos sejam eficazes no controle da doença, deve-se rotacionar ingredientes ativos durante as aplicações, para evitar a seleção de cepas resistentes, reduzindo a eficácia do produto em aplicações futuras”, instrui o Engenheiro Agrônomo.