09/03

Enraizamento auxilia planta em período de estiagem

As raízes são primordiais para absorção de água e nutrientes essenciais aos processos fisiológicos que permitirão o crescimento adequado das plantas e sua reprodução, seja pela produção de frutos e sementes ou outras estruturas de multiplicação como tubérculos, bulbos, rizomas e perfilhos. 

Um enraizamento adequado possibilita a absorção com eficiência dos nutrientes disponibilizados de forma natural pelo meio onde crescem. Por exemplo, minerais e matéria orgânica do solo e os solubilizados em ambientes hídricos como rios, córregos, lagos e lagoas, estuários, manguezais e nos mares. 

Portanto, as plantas bem nutridas crescerão mais resistentes a pragas e doenças e produzirão com melhor qualidade flores, frutos, hortaliças, grãos, pastagem, fibras, madeira, energia, tamanho, sabor, cor, textura, mais vitaminas e aminoácidos.

Quatro benefícios das raízes das plantas

O pesquisador da Embrapa Solos, Claudio Lucas Capeche, destaca quatro motivos entre os principais benefícios das raízes das plantas:

  1. Promovem a fixação da planta no substrato, que pode ser o solo, uma árvore, uma rocha, um vaso, estruturas de hidroponia e aeroponia. Nas plantas aquáticas cumprem a mesma função de fixação e/ou para manter o equilíbrio da planta dentro ou na superfície da água.
  2. Absorvem água e nutrientes que possibilitam a planta a cumprir seu ciclo de vida (vegetativo e reprodutivo).
  3. Otimizam a atividade biológica de macro e microorganismos no meio onde crescem, atuando como fonte de nutrientes e de abrigo.
  4. Contribuem para aumentar ou manter o nível de matéria orgânica no solo, estruturar os agregados do solo, melhorar a infiltração de água da chuva e da irrigação e aumentar/manter a fertilidade natural ou construída com uso de corretivos e fertilizantes minerais e orgânicos.

Como garantir um bom enraizamento da planta

As plantas precisam ter um ambiente de crescimento radicular com boas características físicas, ou seja, quando se usa o solo ou outro substrato mineral/orgânico, estes devem ter boa porosidade e capacidade de armazenamento de umidade. Não pode ter restrições químicas devendo estar livre de elementos tóxicos (alumínio, manganês), ter pH na faixa de 5,5 a 6 e nível favorável de nutrientes. 

“Entretanto, é importante citar que existem plantas adaptadas a diferentes condições de crescimento. Portanto, é muito importante se conhecer o ambiente/meio de cultivo para se recomendar a planta certa”, enfatiza Capeche.

O pesquisador explica que ambientes com solo ou substrato compactado tem uma quantidade menor de macro e microporos, o que restringe o crescimento radicular, seja pela resistência física, seja pela menor disponibilidade de água,  que também dificulta absorção de nutrientes. Ainda o excesso de água, no caso de encharcamento, limita o enraizamento. “Portanto, para garantir um bom enraizamento é necessário que o ambiente esteja com solo ou substrato bem estruturado e com teor de umidade adequado, de forma que as raízes possam crescer sem dificuldade”.

Como um bom enraizamento previne o cultivo nos períodos de estiagem?

A planta com um sistema radicular bem desenvolvido tem melhor chance de resistir a períodos de estiagem. O enraizamento explora um volume maior do ambiente em que está, possibilitando alcançar uma área maior, seja em profundidade ou lateralmente. Dessa forma, tem a chance de absorver mais água e nutrientes. O bom enraizamento é sinal de que o ambiente de cultivo está em condições ideais com boa aeração, umidade, nível de nutrientes e atividade biológica.

Boas práticas agrícolas que garantem o enraizamento da planta

Capeche esclarece que se tratando do plantio no solo nas áreas agrícolas, recomenda-se o uso de práticas conservacionistas de solo e água que envolvem o uso de um conjunto de tecnologias de manejo do solo, da água e da biodiversidade animal e vegetal.

“Essas tecnologias cuidam do manejo correto do solo da lavoura, influenciando diretamente o enraizamento. Por exemplo, tanto no preparo do solo como no cultivo, se deve, sempre que possível, seguir as curvas de nível; adotar o sistema de plantio direto; usar terraço, cordão vegetado e bacias de retenção para reter a enxurrada; quebra-ventos reduzem o estresse hídrico; consórcio e a rotação de culturas pode reduzir o ataque de pragas e doenças; manter a cobertura do solo (viva ou morta) evita o impacto da chuva sobre o solo, e sempre fazer a correção e a adubação do solo com base nas recomendações técnicas da análise do solo. Essas práticas ajudam no controle e redução da erosão”, orienta o pesquisador.

O manejo correto dos animais na área de pastoreio, como a lotação adequada por área e o período de pasto (bovinos, equinos, ovinos, caprinos, etc) é fundamental para se manter o potencial produtivo do solo e do capim. Também é importante estar atendo à qualidade da água de irrigação para que não ocorra a salinização ou contaminação do solo.

“Ao utilizar as práticas conservacionistas o ambiente de cultivo adquire, e mantém, as condições adequadas para um perfeito enraizamento e, consequentemente, boa produtividade agropecuária”.

Atualmente, como forma de manter a produtividade agropecuária e/ou recuperar áreas de pastagem degradadas, tem sido recomendado o Sistema Integrado de Produção Agropecuária que trabalha o manejo do ambiente como um todo (solo, planta, animal, água), tendo como exemplo a Integração Lavoura-Pecuária (ILP), a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o Sistema Agroflorestal SAF.