18/03

Como identificar o amarelinho dos citros

Popularmente conhecida como amarelinho, a clorose variegada dos citros (CVC) é uma importante praga que acomete a citricultura brasileira desde os anos 80. Causada pela bactéria Xylella fastidiosa, é disseminada pelo inseto vetor – mais de onze tipos de cigarrinhas – e também por mudas infectadas. 

Ao se instalar na planta, a bactéria obstrui os vasos responsáveis pelo transporte de água e nutrientes da raiz para a copa. A partir disso, aparecem manchas amareladas e misturadas nas folhas das laranjeiras doces, secamento de ramos e, em último estágio, amarelecimento, endurecimento e redução de tamanho dos frutos. Os sintomas costumam aparecer após, pelo menos, seis meses  da primeira infecção. 

Segundo o fitopatologista Hermes Peixoto, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, a convivência com a CVC deve ser realizada mediante a integração de diversas ações. “O controle legal deve ser feito com medidas ou regras estabelecidas em leis, decretos e portarias para impedir ou retardar a entrada e o estabelecimento da bactéria em uma área ou região onde ainda não foi constatada. Pode ainda determinar a erradicação ou a eliminação de material vegetal suspeito e deve ser implementado em regiões livres do patógeno”, afirma. 

Como identificar a CVC

É muito comum o citricultor confundir os sintomas da amarelinha com deficiência de zinco ou sarampo. Porém, quando a planta está contaminada com CVC, as folhas apresentam manchas pequenas e amareladas na parte da frente da folha e de cor palha na parte de trás.

Além do mais, no pomar afetado, os frutos ficam duros, pequenos e amadurecem precocemente, podendo perder até 75% de seu peso. Assim, os frutos ficam queimados e impróprios para a comercialização.

Como controlar a CVC

Conforme orienta Peixoto, para controlar o aparecimento da amarelinha, o citricultor só deve utilizar mudas sadias, certificadas, adquiridas em viveiros credenciados. Em regiões onde já existe a doença é necessário manter as borbulheiras e as plantas matrizes protegidas por telas antiafídicas.

“Quando a doença já está estabelecida, recomenda-se a erradicação ou eliminação de plantas severamente afetadas com dois a quatro anos que possuam muitos ramos com frutos pequenos”, orienta.

Outra medida consiste na poda dos ramos afetados, obedecendo a um esquema de épocas e distâncias do corte em relação à última folha com sintomas iniciais. “Já o controle químico deve ser direcionado às espécies de cigarrinhas vetoras utilizando inseticidas sistêmicos via tronco em plantas novas”, informa Hermes Peixoto.