17/02

Como fazer o manejo adequado dos fertilizantes fosfatados

Os fertilizantes fosfatados auxiliam na nutrição das plantas, fornecendo através de sua aplicação, principalmente o elemento fósforo (P). Como já sabemos, a presença desse elemento no solo é indispensável para uma boa produção, porém, de forma geral, esse macronutriente costuma ser deficiente nos solos brasileiros.

Neste caso, o uso dos fertilizantes fosfatados se torna necessária. Mas como fazer o manejo adequado? Segundo o Engenheiro Agrônomo, Doutor em Agronomia e professor do curso de Agronomia da Uceff de Itapiranga, Anderson Clayton Rhoden, inicialmente o produtor rural deve fazer uma correta amostragem do solo para fins de análise,  visando conhecer o real estado nutricional do solo e com isso definir a necessidade de calagem e adubação. 

A correta amostragem do solo é fundamental para que cada talhão ou gleba da propriedade rural esteja corretamente representada, resultando em um laudo específico para cada área da propriedade, o que permite uma intervenção pontual e assertiva para a recomendação de adubação fosfatada. “Cabe salientar que cada gleba da propriedade tem um histórico de cultivo e manejo que refletirá na fertilidade do solo, no manejo e recomendação de adubação das culturas”, explica Rhoden.

Devido ao P ser pouco móvel no solo, quanto menor o contato com o solo, melhor, por isso sua aplicação deve ser no sulco de semeadura. Este procedimento permitirá que o P esteja disponível e próximo ao sistema radicular da cultura desde o plantio. Visando aumentar a eficiência de uso do P e maximizar a adubação fosfatada, é fundamental reduzir o contato do P com o solo devido à adsorção específica nos óxidos e argilas.

A adubação fosfatada em cobertura, ou seja, sobre o solo, somente será viável se o solo apresentar teor disponível de P em nível considerado muito alto, pois neste status de fertilidade a probabilidade de resposta da cultura a adubação fosfatada é pequena, o que se deve ao fato do solo já possuir elevado teor de P. Fora desta condição, o fertilizante fosfatado deverá ser aplicado no sulco de semeadura.

Como realizar o manejo adequado do fósforo

 O manejo adequado do P depende da cultura a ser implantada, da expectativa de rendimento e do teor de P no solo. Cabe salientar que o pH do solo e o teor de matéria orgânica também são parâmetros importantes e que podem ser levados em consideração quando se pensa na adubação de sistemas e não somente na adubação da cultura a ser implantada.

 Para potencializar os benefícios da adubação fosfatada e melhorar o ambiente solo para disponibilizar mais P às plantas, é fundamental realizar a calagem para correção da acidez do solo, aumentando o pH para uma faixa entre 5,5 e 6,5, dependendo da cultura e, melhor ainda, se ocorrer na camada de 0 a 20 cm de profundidade.

“Deve-se atentar para a escolha do melhor fertilizante fosfatado para cada situação, pois há diversas fontes de P disponíveis no mercado, todavia, é fundamental a aplicação de P no sulco de semeadura para minimizar a fixação do P nos óxidos e colocá-lo próximo ao sistema radicular, potencializando sua absorção pela cultura”, orienta o Engenheiro Agrônomo.

O aumento no teor de matéria orgânica do solo reduz a fixação do P nos óxidos e estimula a atividade microbiana, o que contribui para aumentar a ciclagem do P orgânico no solo e aumentar sua disponibilidade às plantas.

Devido a afinidade química do P aos óxidos, para se ter sucesso na lavoura é fundamental eliminar a erosão do solo, pois quando esta ocorre, partículas de solo são arrastadas pela água de escoamento superficial e levam consigo o P, resultando em perdas importantes de solo e de nutriente que custa caro.

Rhoden salienta que a realização do plantio direto na palha, rotação de culturas, correção do pH do solo, eliminação do Al e adubação equilibrada com N e K maximizam o aproveitamento do P e reduzem as perdas, além de melhorar o solo química, física e biologicamente, aumentando a retenção de água, a fertilidade do solo e a capacidade produtiva do sistema.