23/01

Como evitar os efeitos das secas e dos veranicos nas lavouras

A vida é dependente da água, não sendo surpreendente considerá-la originária de um meio aquoso ou pelo menos com a presença dela. Assim, as diversas espécies vegetais são condicionadas principalmente à maior ou menor intensidade de precipitação, bem como a temperatura da região. Áreas de precipitação abundante e relativamente bem distribuída possuem vegetação luxuriante, sendo a Amazônia um exemplo típico. Onde ocorre verão seco, as gramíneas predominam e, com seca intensa, surgem os desertos. Logo, a distribuição da vegetação na superfície terrestre é direta e fortemente relacionada à disponibilidade de água.

Também é fato, que o limite superior de produtividade de qualquer espécie vegetal depende, além do potencial genético, das disponibilidades edáficas (solo) e climáticas (clima). Assim, a água como fator ambiental afeta os processos fisiológicos, e logo, o crescimento e desenvolvimento das plantas. 

De acordo com o Engenheiro Agrônomo, mestre em Agronomia e professor do curso de Agronomia da Uceff Chapecó, Marciano Balbinot, a água é essencial para a estrutura das moléculas biológicas e, portanto, para as células, tecidos e o organismo como um todo. “É indispensável como meio de transporte de nutrientes desde o solo até os locais de utilização. Se a disponibilidade de água for menor do que a requerida pelas plantas, todos os processos de desenvolvimento serão prejudicados”.

Mas, é possível prever as secas e os veranicos?

É possível fazer previsões, no entanto, não é tão simples assim o acerto real, até porque como o próprio nome já diz, “previsão”. Trata-se de algo que tende a acontecer, mas nem sempre são confirmadas. Há alterações dos fatores climáticos no decorrer do tempo, demandando atualização das informações com bastante frequência. 

“Atualmente, existe um aparato moderno de equipamento e tecnologia, mesmo assim, não há nada seguro que se possa prever com exatidão e com prazo mais longo quando uma seca, estiagem ou veranico vão acontecer. O que se sabe, é que as secas são cíclicas, portanto, o histórico também é uma importante ferramenta a ser utilizada”, explica Balbinot.

Como prevenir a plantação das secas e dos veranicos

Para prevenir as perdas nas lavouras, é preciso tomar providências que antecedem as secas ou veranicos, tornando-se importante trabalhar com planejamento técnico constante nas áreas de lavouras, antes mesmo até da implantação das mesmas. A exemplo, da escolha das cultivares adaptadas ao local, realização da semeadura ou plantio na época mais apropriada e prioritariamente com utilização do método de plantio direto na palha, rotação de culturas, adubação adequada e equilibrada, manutenção do solo sempre com cobertura vegetal  e com palhada, enriquecimento do solo com matéria orgânica, eliminação de toda e qualquer compactação do solo aumentando assim a permeabilidade e a porosidade.

 Além, dos aspectos técnicos mencionados, uma forma efetiva de prevenir as plantações das secas e veranicos, é uso de algum sistema de irrigação, que atenda a demanda hídrica das plantas, garantindo a colheita e possibilitando inclusive o aumento da produtividade, recomenda o profissional.

Aspectos que o agricultor deve prestar atenção

A atenção deverá estar voltada às propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, ao manejo da lavoura e no comportamento dos fatores climáticos. O solo é o grande reservatório de água, dele são retirados água e nutrientes para a sobrevivência das plantas. A capacidade de armazenamento depende, também, de alguns fatores possíveis do agricultor manter e/ou melhorar a partir de suas práticas diárias, como estrutura, permeabilidade, porosidade, densidade e teor de matéria orgânica.

“O manejo da lavoura é outra questão que diretamente está nas mãos do agricultor e que pode auxiliar muito as plantas a sentir menos os efeitos das secas ou veranicos. São questões de ordem técnica que envolvem o conjunto de práticas agronômicas e a relação solo, água, planta e atmosfera”, salienta Balbinot.

Ele complementa que em relação ao clima não temos como interferir diretamente, portanto, muito importante é estar acompanhando o comportamento dos elementos climáticos a fim de levá-los em consideração nas tomadas de decisão.

“A irrigação é uma técnica de grande relevância e também em muitos casos necessária, que poderá ser utilizada pelos agricultores, desde que se faça um estudo de viabilidade técnica e econômica”. Nem todas propriedades comportam determinados sistema de irrigação, portanto, o planejamento da propriedade deverá ser realizado individualmente e não repassado de uma para outra como modelo a ser seguido.