17/10

Como evitar o mofo branco na lavoura

Conhecido também como Podridão Branca, o mofo branco é uma doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum. Essa doença pode causar grandes reduções no rendimento das culturas, tais como a soja e o feijão, além de outras espécies comerciais.

Os sintomas de infecção por mofo branco progridem das flores – local onde os ascósporos penetram -, para folhas, caules, ramos e vagens, onde ocorre a formação de micélio cotonoso, de coloração branca, com presença de escleródios pretos, os quais possuem formas e tamanhos irregulares. 

Conforme exemplifica o Doutor em Agronomia, pesquisador na área de fitopatologia e professor do curso de Agronomia da Uceff, João Américo Wordell Filho, o mofo branco apresenta alto potencial de perdas à cultura da soja, podendo ocasionar a redução de produtividade na ordem de 30%, chegando até 100% quando medidas de manejo não são tomadas.

“Esta doença é hospedeira em mais de 400 espécies de plantas registradas, entre as quais estão a cultura do feijão, algodão, tomate industrial, girassol, batata, entre outras espécies de hortaliças, com exceção das gramíneas. O fato de o mofo branco ter muitos hospedeiros, restringe as opções e as possibilidades para rotação de culturas nas áreas com histórico da doença”, explica Filho.

Ele ainda complementa que a doença costuma manifestar-se com maior severidade em áreas acima de 600 metros de altitude, sob condições de alta umidade relativa do ar e temperaturas variando entre 10°C e 21°C. Desta forma, o mofo branco encontra ambientes favoráveis em quase todos os estados do Sul e do Centro-Oeste do Brasil. “O fungo é capaz de infectar qualquer parte da planta, porém, a fase mais vulnerável na cultura da soja compreende os estádios da floração plena, porque a flor serve como fonte primária de energia e alimento para o fungo, estendendo-se ao início da formação das vagens”, salienta. 

Como evitar o mofo branco

O fitopatologista orienta que as práticas de manejo são as principais formas de evitar a manifestação do mofo branco. O manejo da doença deve ser realizado através da adoção de várias medidas de controle que visam à redução da taxa de progresso do inóculo , reduzindo os riscos de uma epidemia e, mantendo assim, um nível abaixo do dano econômico. Como parte do manejo integrado da doença, Filho destaca as seguintes medidas de controle:

  • Aquisição e utilização de sementes certificadas;
  • Tratamento de sementes com fungicida;
  • Cobertura uniforme do solo com palhada;
  • Rotação e/ou sucessão de culturas não hospedeiras do mofo branco;
  • Escolha de cultivares com arquitetura de plantas mais eretas;
  • Espaçamento entre linhas, em áreas com histórico da doença;
  • Controle de plantas daninhas;
  • Limpeza de implementos e colheitadeiras;
  • Controle Químico. 

Este último, segundo Filho, vai depender, sobretudo, da época, qualidade da aplicação e o modo de aplicação, de forma que o produto possa atingir as partes inferiores das plantas e a superfície do solo. A primeira pulverização deverá ser feita nas primeiras aberturas das flores, (estádio R1 da cultura da soja) e a segunda aplicação no intervalo de 12 a 15 dias. “Para o eficiente controle do mofo branco na cultura da soja, o produtor tem que lançar mão das várias práticas que compõem o manejo integrado da doença que, quando combinadas, ajudam a reduzir a pressão do inóculo na área de maneira sustentável e racional, permitindo o aumento da produtividade e viabilizando a atividade agrícola em áreas com histórico da doença”, orienta o especialista