09/04

Como combater a mosca-branca

Uma pequena praga, mas que pode causar danos de grandes proporções. A mosca-branca, nome dado em função do seu formato e coloração semelhante ao inseto, é uma praga minúscula que tem surgido nas lavouras de soja e outros cultivares no Brasil há quase 100 anos, se desenvolvendo com maior facilidade em estações e climas quentes. 

Por se tratar de um inseto bastante pequeno e comumente se alojarem na parte de trás das folhas, a identificação de uma infestação tende a ser difícil. É possível reconhecer a presença da praga através dos sintomas deixados nas plantações, sendo o principal a formação da fumagina. De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Adeney de Freitas Bueno, “a fumagina é causada pelo crescimento de um fungo do gênero Capnodiumsobre o melaço excretado pela mosca-branca que fica sobre as folhas. O crescimento desse fungo pode causar a elevação do teor de etileno nas folhas, que traz como consequência a senescência precoce da mesma”. 

A soja em especial é bastante tolerante ao ataque das moscas-brancas, sem qualquer redução na produtividade. Contudo, quando as populações do inseto estão muito altas, levando a presença de fumagina nas folhas, elas impedem a fotossíntese da área afetada, gerando assim danos mais graves, como a perda foliar precoce e com isso a falta de nutrientes para o completo desenvolvimento dos grãos.

Enquanto a soja apresenta considerável resistência, o produtor precisa estar atento com a mosca-branca em todo o sistema de produção e fazer um planejamento do seu plantio, pois a praga pode se desenvolver em outras culturas circunvizinhas. “A soja pode contribuir para o crescimento da população do inseto no sistema de produção, condições que podem ser prejudiciais para culturas vizinhas, menos tolerantes, como feijão, tomate, algodão, entre outras”, comenta o pesquisador. 

Este inseto é bastante móvel e com diversos hospedeiros, tendo fatores como direção do vento e histórico da área determinantes na probabilidade de ocorrer infestação. Por conta disso, o Manejo Integrado de Pragas deve ser adotado em toda a região infestada, pois medidas isoladas de controle não obtêm sucesso, principalmente devido a migração rápida da B. tabaci,o que acarreta na rápida reinfestação da área.

Como prevenir o desenvolvimento da praga?

  1. Evite o cultivo sucessivo de safra e safrinha com hospedeiros preferenciais da praga, como por exemplo cultivar feijão, algodão, girassol, melancia, tomate, entre outras e na sequência a soja. Quando há a presença constante de hospedeiros, é muito mais fácil da praga aparecer com frequência, por conta da oferta abundante de alimento ao inseto.
  2. Use tratamento de sementes com inseticidas registrados para o controle de mosca-branca em áreas com histórico de ocorrência da praga desde a germinação das plantas. 
  3. Use inseticidas registrados para o controle da praga apenas quando estiver em população que justifique o uso do controle químico, definido como: um pouco antes ou no início da formação de fumagina nas folhas mais velhas.
  4. Em áreas com histórico de ocorrência da praga, dê preferência para cultivares de soja de crescimento mais rápido, tolerantes a formação da fumagina, assim como resistentes ao vírus da necrose da haste.

Com informações Revista Setor Agro&Negócios 

Foto:  Cláudio Luiz LeoneAzevedo/Embrapa