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Atuação do calcário no solo

O solo se acidifica com o passar dos anos e é um processo que faz parte da natureza e independe da agricultura. Quando isso acontece, devemos corrigir o pH do solo através da aplicação de calcário. 

Para explicar esse processo, o Engenheiro Agrônomo, Doutor em Agronomia e professor do curso de Agronomia da Uceff de Itapiranga, Anderson Clayton Rhoden, esclarece que à medida em que o solo vai se intemperizando pela ação do clima (água, temperatura, radiação solar, vento) e dos organismos (plantas, micro, meso e macro organismos) ao longo dos anos, acontece a produção de íons de hidrogênio, que representam a acidez do solo. 

“Com a redução do pH, há liberação de elementos químicos das rochas e do próprio solo, sendo muito benéfico às plantas como o cálcio, o magnésio e o potássio. Todavia, alguns elementos, como o alumínio, são prejudiciais à disponibilidade de nutrientes e às plantas”.

Sendo assim, o calcário é um insumo agrícola fundamental para se ter um solo fértil e de qualidade química. A principal função do calcário é aumentar o pH do solo, mas também tem uma função secundária importante de fornecer os nutrientes Ca2+ e Mg2+ para as plantas.

Benefícios do calcário

Rhoden salienta que o calcário é um dos principais insumos agrícolas que deve ser utilizado pelos produtores rurais, pois traz benefícios no curto, médio e longo prazo. Confira as vantagens:

  • Aumento do pH do solo;
  • Redução e/ou eliminação do Al3+ tóxico para as plantas;
  • Fornecimento dos nutrientes Ca2+ e Mg2+;
  • Redução da lixiviação de nutrientes catiônicos pelo aumento da CTC (capacidade de troca de cátions);
  • Redução da adsorção de fósforo nos óxidos de ferro do solo pela redução da CTA (capacidade de troca de ânions);
  • Aumento da saturação por bases e redução da saturação por alumínio;
  • Promove melhor ambiente (menor acidez e maior disponibilidade de nutrientes) para o crescimento das raízes que podem buscar água e nutrientes em profundidade e para a atividade biológica (bactérias e fungos);
  • Quando em solo que tem palhada e raízes em abundância (rotação de culturas e pousio zero), apresenta incremento no teor de matéria orgânica.

Como saber qual a necessidade de utilizar calcário no solo?

A necessidade de calcário varia de solo para solo e de manejo para manejo. Não há uma receita pronta para proceder à calagem. “Solos com o mesmo pH, porém com diferentes teores de argila e matéria orgânica podem necessitar de diferentes doses de calcário. Assim sendo, a análise de solo é a principal ferramenta para a tomada de decisão sobre a calagem, o momento, a quantidade e o tipo de calcário a ser aplicado”, explica Rhoden.

Ele exemplifica que solos com pH abaixo de 5,5 tendem a apresentar Al3+ tóxico às plantas e, quanto menor o pH, mais Al3+ haverá no solo. Portanto, deve-se realizar a calagem. Solos com pH acima de 6,5 não é recomendado fazer a calagem. 

Sobre o pH, não cabe a máxima de que quanto maior melhor, pois em pH elevado pode ocorrer a deficiência de micronutrientes catiônicos (Cu2+, Zn2+, Mn2+, Ni2+), entre outros problemas, inclusive com o fósforo. O pH do solo depende do tipo de cultura. Há plantas que melhor se desenvolvem em solos com pH 5,5, outras com pH 6,0 e outras com pH 6,5, ou seja, cada cultura tem um pH de referência. 

Porém, toda vez que o pH do solo for menor que 5,5 é recomendado a aplicação de calcário. Da mesma forma, quando a saturação por bases for menor que 50% e houver saturação por Al3+, recomenda-se realizar a calagem. A tomada de decisão em aplicar ou não calcário depende do pH de referência da cultura, podendo, para ajuste fino, observar a saturação por bases e a saturação por Al3+.