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Aprenda como preservar o solo e evitar erosão

A erosão é um fenômeno geológico natural que ocorre há milhões de anos, provocada pela água da chuva, ventos, geleiras, rios e mares, moldando a superfície do nosso planeta. Quando o homem passou a manejar os recursos naturais, transformando os ecossistemas, como florestas e campos nativos, em agroecossistemas, como lavouras, pastagens cultivadas e pomares, a erosão geológica tornou-se mais intensa, passando a ser denominada como erosão acelerada ou, simplesmente, erosão do solo.

De acordo com o engenheiro agrônomo Leandro do Prado Wildner, do ponto de vista agronômico “a erosão consiste no desgaste dos solos agrícolas, provocado pela mobilização excessiva do solo, o que o torna suscetível à desagregação de sua estrutura, transporte e arrastamento de suas partículas, compostas de areia, silte, argila e matéria orgânica, a partir da ação das gotas de chuva e/ou da água de escoamento. Este desgaste deixa de ocorrer em tempo geológico e passa a ocorrer em tempo real”.

Coberturas no solo minimizam a erosão acelerada

Para conservar o solo é preciso evitar o impacto dessas gotas na terra, mantendo o máximo de tempo possível a cobertura viva, que são as plantas em crescimento, ou cobertura morta, com resíduos dessas plantas. Dessa forma é possível proporcionar condições para que o maior volume de chuva seja infiltrado no solo, não permitindo a formação de camadas compactadas que impeçam a infiltração e manejando corretamente a água excedente da chuva, que escoa sobre a superfície.

A cobertura do solo é obtida a partir do planejamento de uma sequência de cultivos, produzindo em uma mesma área a rotação de culturas, alternando entre àqueles que produzem pouca palha com os cultivos que produzem essa cobertura em maior quantidade. Segundo Leandro, “a recomendação é de 8 a 12 toneladas de palha por ano e pode ser mais facilmente obtida através da variação entre plantação de feijão e soja, os quais sua palha se decompõe rapidamente com àqueles que a palha é mais resistente à deterioração e cobre o solo por mais tempo, como milho, capim sudão, sorgo e milheto no verão, e trigo, aveia preta e centeio no inverno”.

Atualmente a maneira mais efetiva de preservar o solo consiste no uso de misturas de espécies de adubos verdes, tendo em vista a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo, manejo de pragas, doenças e plantas daninhas e, também, para o aumento da produtividade das culturas cultivadas imediatamente após o seu manejo.

Manejo da água que escoa do solo

A manutenção, aumento ou recuperação da infiltração de água no solo está relacionada à grande e necessária produção de raízes por parte das plantas. “As raízes pivotantes, como as raízes da soja, feijão, lentilha e ervilha, promovem aumento temporário da porosidade do solo pela abertura de bioporos, que aumentam a infiltração de água. Já as raízes fasciculadas, como das aveias, centeio, trigo e milho atuam diretamente no processo de agregação das partículas do solo e estabilização dos agregados formados, no aumento dos teores de matéria orgânica no solo, aumentando a porosidade por onde circulam o ar, a água e os nutrientes”, explica Leandro.

Para efetivar o manejo da água que escoa sobre a superfície do solo também é preciso construir estruturas capazes de dividir e ordenar a quantidade de água do fluxo de escoamento. O ideal é que essas estruturas sejam construídas de maneira transversal ao declive, com dimensões e espaçamentos equivalentes à declividade do terreno.

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