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Aprenda como controlar as cigarrinha-das-pastagens

As cigarrinhas-das-pastagens constituem um complexo de espécies pertencentes à ordem Hemiptera e família Cercopidae, sendo as principais pragas de gramíneas forrageiras em toda a América Latina. O ciclo biológico desses insetos se inicia com as posturas ao nível do solo ou sobre os restos vegetais nas proximidades da base das plantas hospedeiras. 

Após o completo desenvolvimento embrionário, as ninfas eclodem e se alojam na base das touceiras, rentes ao solo, permanecendo envoltas por uma massa característica de espuma protetora. Ao completarem o ciclo e tornarem-se indivíduos adultos, as cigarrinhas-das-pastagens abandonam a espuma e tornam-se hábeis saltadoras, passando a permanecer na parte aérea das gramíneas hospedeiras, movimentando-se por meio de saltos e voos curtos. 

Segundo o professor do curso de Agronomia da Uceff e entomologista da Epagri, Leandro do Prado Ribeiro e o pesquisador do curso de Agronomia da UFSC, Dylan Thomas Telles Amandio, na região Sul o surgimento deste completo de espécies-praga (7 espécies ocorrentes em SC) em áreas de pastagens, geralmente tem início em meados de agosto e setembro, período onde ocorre a elevação da temperatura e torna as condições ambientais mais favoráveis para a eclosão dos ovos mantidos no solo (ovos em diapausa). 

“Após o início do ciclo, alguns fatores determinam o nível populacional desses insetos, como a diversidade de espécies de pastagens e equilíbrio biológico, sobra de pastagens pelo ajuste inadequado da carga animal, resistência das espécies cultivadas e o desbalanceamento das adubações nitrogenadas. O ataque de cigarrinhas-das-pastagens está relacionado predominantemente sobre espécies de monocotiledóneas (Poaceae), ocasionando prejuízos não apenas em gramíneas forrageiras, mas também em lavouras de milho, arroz e cana-de-açúcar”, explicam.

Os danos ocasionados por cigarrinhas são resultantes da sucção de seiva (predominantemente no xilema) pelas ninfas e adultos, bem como devido a injeção de secreções salivares nos tecidos vegetais. Essas secreções produzidas durante a alimentação dos indivíduos ocasionam a fitotoxemia, que se caracteriza por pontos e/ou listras cloróticas nas folhas, podendo avançar para manchas necróticas lineares que comumente  atingem todo o limbo foliar. 

Como controlar as cigarrinhas-das-pastagens

Algumas medidas podem ser tomadas visando a redução da população de cigarrinhas em áreas de pastagens. Os manejos podem ser culturais, resistência varietal, biológicos ou químicos, sendo este último a principal estratégia de controle adotada pelos produtores. 

Esforços no controle das cigarrinhas-das-pastagens têm sido concentrados no emprego da resistência varietal, no manejo cultural e controle microbiano por meio de fungos entomopatogênicos (micoinseticidas). “Nesse contexto, o controle químico é adotado como medida complementar para o manejo das cigarrinhas adultas recém-emergidas, sendo recomendado a partir da constatação de 6 espumas (ninfas) por metro quadrado”, recomendam os profissionais. 

Foto Renata Silva/Embrapa