23/05

Aplicação de fungicidas é diferente para cada cultura

Assim como as vacinas são aplicadas em animais visando combater diferentes vírus, os fungicidas devem ser aplicados no campo de acordo com a cultura e o tipo de parasita que se deseja controlar. O desenvolvimento de fungos é um dos principais fatores que interferem na produtividade de lavouras e causam danos em diversas colheitas. Ações durante o processo do cultivo ajudam a minimizar esse impacto, como a aplicação correta de fungicidas, que têm o intuito de evitar doenças e impedir a proliferação de fungos. Podem ser aplicados em diferentes etapas, desde o tratamento de sementes até na pós-colheita. 

Cada fungo possui características diferentes e que, portanto, exige estudo e conhecimento para seu combate. A utilização dos fungicidas pode ser realizada em diferentes processos na produção de culturas, podendo variar também a característica do produto. “Fungicidas são compostos químicos utilizados na proteção de cultivos e podem ser divididos em protetores e sistêmicos. Os protetores criam uma espécie de barreira em cima das folhas, na qual o fungo não consegue penetrar. Enquanto no sistêmico, o produto é absorvido pela planta, e dessa maneira inibe a proliferação”, explica o fitopatologista da Epagri/SC, João Américo Wordell Filho.

Ter conhecimento sobre a região em que se está plantando, como o histórico de doenças, assim como as características da planta e o acompanhamento da lavoura, através da avaliação das condições climáticas e do estágio da cultura são fundamentais para saber qual produto aplicar e em qual momento. Nas principais culturas locais, como o milho e a soja, a medida de combate mais comum é utilizar a mescla dos dois tipos de fungicidas, tanto o protetivo quanto o sistêmico. 

O tratamento da semente também é uma ação de extrema importância. Dessa forma, elas ficarão protegidas desde a fase inicial do cultivo, e assim, mesmo que indiretamente, podem combater o desenvolvimento de futuros parasitas. Essa ação facilita também o manejo da lavoura, que posteriormente exige aplicações periódicas, de acordo com as indicações específicas do produto e do fungo que se visa controlar. 

Tomando como exemplo o cultivo da soja, o momento ideal para aplicação do produto é a partir do surgimento da quinta folha, onde a planta está com uma atividade fisiológica boa e possivelmente com um nível de infecção apenas inicial. É nesta hora que o desempenho da solução tecnológica atinge o máximo de seu poder e maior efetividade.Porém, é preciso seguir o cronograma de reaplicação, para garantir a proteção. “Há culturas com histórico maior no desenvolvimento de fungos, como a batata e o tomate, que necessitam várias aplicações. Geralmente plantas hortícolas exigem maior atenção”, ressalta Wordell. 

Outro fator que é preciso estar atento ao aplicar fungicidas é o período de carência do produto. A carência consiste no intervalo de tempo entre a última aplicação e a colheita final, a qual não pode haver resíduos no produto final. Por isso o manejo adequado deve ser pautado nas indicações de cada fungicida, que são estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. 

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