29/08

5 erros relacionados ao uso de fertilizantes

Os fertilizantes são um dos mais importantes fatores de produção. Seu uso visa o fornecimento de nutrientes complementando o que o solo não fornece à planta, visando atender a demanda das plantas e com isso atingir alta produtividade. 

O Engenheiro Agrônomo, Doutor em Agronomia e professor do curso de Agronomia da Uceff Itapiranga, Anderson Clayton Rhoden, explica que para ter maior eficiência no uso dos nutrientes pelas plantas a partir do uso de fertilizantes, é fundamental seguir alguns processos e procedimentos adequados para que o nutriente esteja disponível na quantidade certa, no momento de demanda da planta e no local adequado para que possa ser absorvido. Para tal, é fundamental fazer a escolha correta do fertilizante, maximizando seu uso e minimizando erros.

Buscando aumentar a eficiência no uso dos nutrientes, Rhoden salienta que é fundamental evitar alguns erros:

1) Fazer a adubação das culturas sem ter em mãos a análise de solo

“Se o médico usa o exame de sangue para melhor entender o paciente, o produtor rural e o agrônomo devem usar a análise de solo para conhecer a condição química do solo e a capacidade de fornecer nutrientes às plantas”, esclarece o Engenheiro Agrônomo.

A análise de solo é o laudo técnico que permite saber como está a condição química do solo, pH, saturação por alumínio e por bases, teor dos nutrientes e a relação entre estes, e que guiará para uma correta avaliação da fertilidade do solo, recomendação de calagem e adubação. A coleta de solo deve ocorrer em áreas ou glebas homogêneas da propriedade, ou seja, que receberam um mesmo uso e manejo, o que garantirá um laudo técnico específico para cada área da propriedade e com isso adequada interpretação e recomendação de calagem e adubação visando atender a demanda das plantas.

2) Não corrigir o pH do solo na faixa considerada ideal para as culturas e esperar que os nutrientes aplicados sejam absorvidos

O pH do solo é fundamental para a disponibilidade de nutrientes às plantas. Cada nutriente tem um comportamento específico em função do pH do solo. Por exemplo, em pH abaixo de 5,5 há alumínio tóxico no solo, possibilidade de adsorção do fósforo nos óxi-hidróxidos de ferro e alumínio, além da lixiviação de cálcio, magnésio e potássio, ao passo que pH acima de 6,7 pode resultar em problemas com o sulfato, cloro e micronutrientes como o cobre e zinco, portanto, há uma faixa de pH adequada para a disponibilidade dos nutrientes às plantas. 

Desta forma, não dar atenção especial ao pH do solo indicado para cada cultura é negligenciar o manejo químico do solo que interfere diretamente na disponibilidade de nutrientes às plantas, resultando em ineficiência no uso dos nutrientes e aumento no custo de produção.

3) Aplicar o mesmo fertilizante e a mesma dose em todas as glebas da propriedade

É um erro crucial utilizar o mesmo fertilizante e a mesma dose em todas as glebas da propriedade. Certamente o teor de argila, matéria orgânica, pH, P e K são diferentes nas diferentes glebas da propriedade, portanto, a necessidade de aplicação de N, P e K é diferente, o que remete no uso de diferentes fertilizantes e quantidades.

“Quando adotamos um fertilizante referência para todas as glebas da propriedade e não seguimos as recomendações técnicas conforme a análise de solo, estamos aplicando uma quantidade aquém da demanda da planta em determinados locais e quantidade além da demanda em outros locais, o que onera o custo de produção, aumenta a possibilidade de perdas, além de poder haver antagonismo entre os nutrientes, ou seja, a aplicação em excesso de um nutriente pode induzir a menor absorção de outro pela planta, comprometendo diretamente o potencial produtivo”, explica Rhoden.

4) Não realizar o manejo da adubação pensando na rotação de culturas e no sistema de cultivo

Quando adubamos o solo, estamos aplicando nutrientes para a cultura atual. Por exemplo, o milho. Após cada cultura restam raízes e resíduos vegetais no solo, os quais promovem a ciclagem dos nutrientes. 

Quando manejamos a adubação pensando no sistema, podemos adubar a cultura atual e essa ciclar os nutrientes para a cultura subsequente através dos restos. Para isso, o planejamento da lavoura, a rotação de culturas e a integração de sistemas é fundamental. Rhoden orienta que “é importante que os profissionais e produtores adotem sistemas produtivos capazes de maximizar a ciclagem de nutrientes e a atividade biológica do solo, o que permitirá aumentar a eficiência no uso dos nutrientes, aumento no teor de matéria orgânica do solo e melhorias nas propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, com reflexos diretos sobre a adubação das culturas”.

5) Não observar a fonte, a dose, o momento e o local certo para aplicação do fertilizante

Quando o ser humano toma um medicamento, na receita há uma prescrição médica indicando sobre o tipo, a dose, os horários e o local da aplicação do remédio. “Com relação aos fertilizantes devemos seguir a mesma lógica, pois buscamos nutrir adequadamente as plantas para atender sua demanda em nutrientes ao longo do ciclo de cultivo”.

A correta fonte de nutrientes passa pela escolha do fertilizante adequado e que irá fornecer os nutrientes que o solo não fornece à planta, atendendo sua demanda. A dose correta passa pela quantidade de fertilizante adequada e que garantirá o suprimento de nutrientes à planta conforme sua necessidade e demanda, além de sobrar um “plus” para o solo, ou seja, ficar armazenado no solo permitindo aumento nos teores com elevação do nível de fertilidade para os cultivos futuros.

Com relação ao momento adequado de aplicação, está associado a demanda da planta. Ela não absorve todos os nutrientes em um curto período do ciclo, mas há momentos de maior e de menor taxa de absorção dos nutrientes conforme desenvolvimento da cultura.

Já o local correto de aplicação do fertilizante está relacionado a aplicação no sulco de semeadura, em superfície, em cobertura ou via foliar. “É fundamental aplicar o conhecimento e as técnicas para uma correta calagem do solo e adubação das culturas, pois precisamos aumentar a eficiência no uso dos nutrientes, o que aumenta a produtividade da cultura por quilograma de nutriente aplicado, reduz o custo de produção pela menor demanda de insumos externos e os impactos ambientais. Práticas agronômicas de conservação do solo e da água são fundamentais para maximizar a eficiência de uso dos fertilizantes, aumentar a fertilidade do solo e tornar a agricultura sustentável”, esclarece o profissional.